
STICMB manifesta solidariedade aos trabalhadores das Casas Bahia e repudia demissões em massa
08/19/2026
STICMB participa da 1ª rodada de negociação da campanha salarial 2026/2027
09/03/2026O Povo Indígena Tembé, da Aldeia Yasitata, enfrenta um grave cenário de violência, restrição e violação sistemática de direitos humanos na região de Acará (PA). Em meio ao histórico conflito conhecido como a “Guerra do Dendê”, as comunidades locais vêm sofrendo forte pressão de dois setores que sufocam o território ancestral: o agronegócio/empresas da região e o avanço do crime organizado.
Retomada ancestral e violência policial
Na terça-feira dia 11 de agosto, a comunidade realizou a retomada pacífica de uma área na Fazenda Minas Gerais. A ocupação visava garantir o reconhecimento de pertencimento étnico-racial e a demarcação como extensão da Terra Indígena Rio Acará-Mirim, além de proteger o local contra invasões iminentes de facções criminosas.
Contudo, a resposta estatal foi marcada por violência institucional e desvio de conduta. Guarnições da Polícia Militar (Rotam, Bope e CME), sob o comando do 1º Tenente Cledio Chumber da Vera Cruz, abordaram o grupo de forma truculenta, separando indígenas e não indígenas e detendo seis pessoas alegando “ordens diretas de Belém”. Os detidos foram levados para outro município e, na delegacia, foram colocados contra a parede para serem fotografados à revelia do procedimento padrão. Houve ainda tentativa de confisco ilegal do celular de Marco Antônio Molina Tembé, que havia registrado a ação policial em vídeos e fotos.
Suspeita de emboscada e tentativa de homicídio
O momento mais crítico ocorreu imediatamente após a liberação do grupo, retido na delegacia até às 17h22 daquela data. Ao deixarem a unidade policial, a Cacique Antonia da Cruz Silva e sua comitiva sofreram uma tentativa de homicídio na estrada. Há fortes indícios de que o deslocamento injustificado para outro município serviu para expor deliberadamente as lideranças a um trajeto vulnerável e pré-articulado.
Mobilização e exigências
Diante desse cenário grave de vulnerabilidade e ameaça constante às vidas indígenas, estão reivindicando investigação pericial. O Povo Tembé, o Tekó Coletivo de Artivismo Indígena, a Kabiadip Articulação Munduruku e o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) exigem o imediato afastamento dos policiais militares envolvidos e a condução rigorosa das investigações pelo Ministério Público Federal (MPF).
A CSP-Conlutas se soma aos povos em luta e denuncia a criminalização dos povos originários e a conivência institucional com interesses corporativos e criminosos que violentam os territórios ancestrais do Pará. As grandes empresas estão de olho nas terras dos povos originários para se apropriarem de forma indevida, expulsando-os de lá, para poder explorar ainda mais, já que não existe fiscalização.




